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  • Eliseu Pinheiro - Tudo Bambu

O Bambu e sua Versatilidade - Produção Orgânica de Mudas

Atualizado: Out 26

Pré requisitos desejados: Saber distinguir entre bambus alastrantes e entouceirantes Conhecer as partes do bambu como rizomas, folhas, colmo, etc. Obs.: Esse conhecimento pode ser adquirido na postagem anterior - Conhecendo a Gramínea...



Introdução


Muita gente fala em conscientizar para o uso do Bambu como material, treinamentos para a fabricação de peças, artesanatos, construção civil, etc. mas pouca gente fala no seu cultivo onde a produção de mudas seria o início fundamental de tudo, pois a maioria dos lugares não tem acesso a viveiros com boas mudas em quantidade, ainda quem produz suas próprias mudas de forma correta acaba conseguindo uma grande economia devido ao alto preço cobrado pelas mudas produzidas, podendo até servir de uma renda extra a produção dessas mudas desde que se tenha o conhecimento necessário para o sucesso na empreitada e é aí que entra o único interesse em escrever mais esse módulo, dar conhecimento suficiente pra qualquer um que queira começar na produção orgânica de mudas de Bambu, ainda podendo escolher o método convencional não orgânico porém esse módulo não trata a questão nutricional das mudas, o que só vai mesmo ser necessário após plantio definitivo...



Coletando o Material Para as Mudas

Quando citei que é essencial saber a diferença entre alastrantes e entouceirantes para a coleta de material para a produção de mudas, o que quis dizer é que isso já ajuda a identificar qual método utilizar para a coleta do material, com maiores chances de sucesso na produção das mudas.



Entouceirantes

Nos Bambus entouceirantes de diâmetro maior, torna-se viável a produção de mudas a partir dos ramos primários, sendo estes retirados juntamente com o nó do colmo que originou tal broto. Exemplo: Dendrocalamus asper, Dendrocalamus giganteus, Guadua angustifolia, Bambusa vulgaris, Bambusa vulgaris var. vitatta, Arundo donax.

Pegarei como exemplo e referência para coleta de material em campo, o Dendrocalamus asper. Escolhi para tal uma touceira de médio porte entre o bambuzal da Fazenda dos Bambus. Antes de fazer o corte devemos não só examinar o material que precisamos, mas também a touceira de onde vamos tirar tal material para ter o cuidado de não estarmos prejudicando a touceira. O material a ser retirado, tem que seguir as regras de manejo adequado a cada espécie, nunca retirando colmos demasiadamente novos, e nem colmos que tenham brotos novos dependentes, o que atrapalharia no desenvolvimento da touceira.



Abaixo uma sequência de fotos mostrando o caminho percorrido na escolha do material para a produção de mudas de Dendrocalamus asper.



Touceira escolhida

Foto 5 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)



Limpeza parcial da touceira

Foto 6 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)


Na Foto 5 temos a touceira escolhida e na Foto 6, a mesma touceira com um manejo parcial para facilitar o acesso e a escolha do colmo que nos fornecerá o material.


A escolha do colmo deve ser feita observando-se primeiramente que este não seja um broto jovem e nem tenha um broto jovem dependente, como podemos ver na Figura 02 que mostra a forma de crescimento dos rizomas dos entouceirantes, pois se existir broto jovem dependente direto do que vamos cortar, esse poderá ser prejudicado ou até mesmo morrer dependendo da sua idade e grau de dependência, na verdade devemos sempre que possível escolher para corte apenas colmos com duas ou mais gerações acima dos brotos jovens para garantir o bom desenvolvimento da touceira.


Colmos com idade entre dois ou três anos, de diâmetro menor são ideais para esse tipo de produção de mudas, porém os de idade e diâmetro maior também podem ser utilizados, mas é desejável que tenham ramos primários novos e vigorosos para um melhor resultado.


Escolhemos nesse caso um colmo com idade média de três anos, mas com brotação recente, que facilitará no processo de enraizamento e brotação da nova muda.



Colmo Escolhido:

Foto 7 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)



Parte Superior do colmo escolhido

Foto 8 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)



Na foto 7 podemos observar a posição correta do corte do colmo ao qual retiraremos nosso material, sempre logo acima de um nó para que não se forme o copinho que poderia causar o apodrecimento do rizoma por facilitar o ajuntamento de água que também poderia servir para o desenvolvimento indesejado de mosquitos como o da dengue por exemplo.


Na foto 8 temos um dos motivos da escolha do colmo, brotação recente e vigorosa de ramos laterais primários, propícios a produção de mudas a partir do método de produção de mudas pelo colmo dos entouceirantes de grande porte e também poderiam ser produzidas através do método de Alporquia, mais trabalhoso porém provavelmente com cem por cento de aproveitamento.


Por fim o material coletado e podado adequadamente. (Ver melhorias testadas na foto 12)



Dendrocalamus asper

Foto 9 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)


Exemplo de material coletado de Bambusa vulgaris var. vitatta observando-se o mesmo método empregado no Dendrocalamus asper.



Bambusa vulgaris var. vitatta

Foto 10 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)



Plantio do Material Recolhido

Vamos ao plantio das duas espécies. Neste caso usei de saquinhos já prontos há algum tempo no viveiro de mudas da Fazenda dos Bambus, apesar de que o ideal seja que os saquinhos sejam preparados alguns dias antes do plantio. Estes saquinhos foram cheios por funcionários da Fazenda com terra de compostagem feita na própria Fazenda a partir de material de poda de vegetações diversas como grama de jardim, capim, palha e folhas de bambu, etc. é um composto já bem fraco de nitrogênio o que o torna ideal na produção de mudas, pois a falta ou baixa quantidade de nitrogênio facilita o enraizamento. A muda é enfiada na terra do saquinho forçando o próprio material contra a terra fazendo com que se penetre, (não perfurando antes um buraco) e depois se compactando o solo no seu entorno com bastante força, o quanto seja possível.


Dendrocalamus asper e Bambusa vulgaris var. vitatta

Foto 11 (Fazenda dos Bambus – Pardinho – SP)


Melhorando o Processo

Foto 12 (Comparar com a foto 9 e foto 10)


Nos testes feitos em paralelo na Fazenda dos Bambus e Sítio Terrinha, observei uma maior perda de mudas no Sítio Terrinha por estar em região muito mais quente (Vale do Jequitinhonha, nordeste de MG), com menos chuvas, menos umidade do ar, etc.


Nas diversas tentativas notei que ao cortar o colmo principal logo acima do nó que gera o ramo lateral primário que será a futura muda (Foto 12), o número de perdas foi até menor que os da Fazenda dos Bambus, tornando viável o método, superando as dificuldades anteriores.

Voltando a Fazenda dos Bambus e aplicando o novo método para o Dendrocalamus asper, as perdas foram diminuídas em torno de 10% ficando assim:

Fazenda dos Bambus perdas iguais ou menores que 30%.

Sítio Terrinha perdas iguais ou menores que 40%.

Obs: Apesar de no Sítio Terrinha haver uma menor porcentagem de pega, isso é recuperado no mais rápido desenvolvimento das mudas e em se poder produzir mudas durante todos os dias do ano, enquanto que na Fazenda dos Bambus seja inviável a produção das mesmas do mês de Junho ao mês de agosto quando frio, diminuindo também nesse período o desenvolvimento das mudas feitas anteriormente ao período.


Nas espécies em que uso o mesmo método como o Bambusa vulgaris e Bambusa vulgaris var. vitatta, em regiões parecidas a fazenda dos Bambus a mudança para o novo método somente é recomendada para a maior facilidade de trabalhar o material nos saquinhos, exigindo menor espaço, pois a pega já aproxima bastante aos 100%, porém no Sítio Terrinha com o novo método essas duas espécies testadas em pequenas quantidades, melhoraram muito a pega e também o resultado final se aproximou muito e em alguns testes atingindo a marca dos 100% de pega sendo idêntico ao resultado conseguido na Fazenda dos Bambus devido a facilidade de produção de mudas com essas duas espécies.


Fazendo as comparações acima, vale ressaltar que no Sítio Terrinha eu não dispunha da mesma estrutura disponível na fazenda dos Bambus, o tempo de teste era reduzido as minhas vindas ao sítio, entre três e quatro vezes ao ano com uma média de quinze dias em cada vinda.


Na foto abaixo, exemplo de mudas de Guadua angustifolia feitas em testes no Sítio Terrinha.



Guadua angustifolia

Foto 13 (Sítio Terrinha - Araçuaí - Vale do Jequitinhonha - MG)



Guadua angustifolia - Teste em cova profunda drenada

Foto 13 (Sítio Terrinha - Araçuaí - Vale do Jequitinhonha - MG)


Entouceirantes de diâmetro menor


Nos entouceirantes de diâmetro menor as mudas são feitas de material retirado com o desmembramento da touceira, ficando um pedaço do colmo com o rizoma principal limpo sem terra a sua volta, devido à impossibilidade de se manter o torrão ao fazer a separação de cada rizoma. Exemplo: Bambusa tuldoides, Bambusa multiplex, Capim bambu, Bambusa textilis, Arundo donax, etc. Conforme exemplos abaixo:


Bambusa multiplex - Material

Foto 14 (Fazenda dos Bambus - Pardinho - SP)


Bambusa multiplex - Plantio


Foto 14 (Fazenda dos Bambus - Pardinho - SP)



Dos entoceirantes, o Arundo donax é a espécie que mais se destaca nos meios de produção de mudas, podendo ser feitas a partir dos ramos primários, do rizoma e também do colmo sendo plantado em sistema similar ao da cana de açúcar. Essa espécie é largamente cultivada para a produção de palhetas de instrumentos de sopro como o Saxofone, Clarinete e Oboé, entre outros. Por curiosidade,a maior plantação para essa finalidade que se tem notícia é na Argentina com pouco mais de trinta hectares...



Arundo donax - Ramos primários

Foto 15 (Fazenda dos Bambus - Pardinho - SP)



Arundo donax - Rizomas

Foto 16 (Fazenda dos Bambus - Pardinho - SP)



Arundo donax - Colmo

Foto 17 (Sítio Terrinha - Araçuaí - Vale do Jequitinhonha - MG)



Arundo donax - Brotação vigorosa como resultado do plantio do colmo

Foto 18 (Sítio Terrinha - Araçuaí - Vale do Jequitinhonha - MG)


Outras espécies podem também ser plantadas nesse sistema com menor número de brotação mas podendo ser viável dependendo de cada situação.

Exemplo: Bambusa vulgaris, Bambusa vulgaris var. vitatta, Guadua angustifolia. Listados na ordem ascendente do grau de dificuldade, nesse caso o solo deve ser mantido sempre úmido e a meia sombra sem a luminosidade direta do sol e uma boa cobertura.




Em breve dando continuidade...


Eliseu Pinheiro Lopes

elyzeus.epl@gmail.com

Sítio Terrinha - Araçuaí - Vale do Jequitinhonha - MG

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