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  • Eliseu Pinheiro - Tudo Bambu

Difícil é não acreditar na viabilidade da Produção Orgânica

Atualizado: 5 de Out de 2020

Quando falo em produção orgânica na minha região ou em postagens, parece que estou entrando num assunto complexo e polêmico, por causa dos comentários contrários e até agressivos que as vezes recebo e no máximo apoiadores em meio termo que dizem: É viável em pequenas quantidades, não para grandes produtores. Não respondo mas imagino: É viável para quem quer produtos de qualidade na quantidade que tiver condições, visto que tudo é proporcional, se uma pessoa consegue cuidar de um hectare de produção orgânica consorciada, cem pessoas cuidarão de cem hectares e mil pessoas cuidarão de mil hectares, simples assim mesmo... Um exemplo: Em uma pequena área plantei meio quilo de feijão que se desenvolveu maravilhosamente bem, não vejo problema algum em se tivesse área preparada haver plantado dez quilos ou mais, desde que consorciado com outras culturas, feijão guandu, abóbora, melancia, melão, mamão, milho, berinjela, framboesa, etc, porque foi assim que cultivei essa pequena área de meio quilo de feijão...


Diferença de desenvolvimento em 24 dias corridos de 27 de Julho a 20 de Agosto de 2020


Uma vista mais ampla da área de plantio

Mas então qual o segredo?


O interessante de tudo isso é que não existe segredo além da preservação e manutenção do solo, todos sabemos que se dermos condições, a Natureza se recompõe por mais que esteja degradada por usos indevidos sucessivamente, até o limite, basta dar um tempo que tudo volta ao que era antes, mas também podemos interferir positivamente acelerando esse processo de forma significativa. Uma dessas interferências positivas pode ser através de simples métodos de compostagem como podem ver no vídeo do link: Compostagem Simples



O sítio em 2001 logo após a sua aquisição e em 2018


Sem querer enganar, é claro que a foto do estado atual foi favorecida por ser na época de chuvas que é bastante distinta na nossa região, mas mesmo assim dá pra perceber claramente o nível de recuperação pelas árvores que não existem na primeira foto.


Como isso fora feito?


Primeiro a terra foi deixada a descansar, já no primeiro ano na época das chuvas a vegetação rasteira e um tipo de capim cresceu abundantemente, então esse material foi cortado e carregado para cobrir a terra nos locais mais críticos de erosão que falaram não ter mais jeito e já nos primeiro três anos já se encontravam parcialmente recuperadas o que foi motivo de muita alegria e felicidade por estar descobrindo que o que muitos julgavam impossível era possível e com certa facilidade ainda exigindo apenas esforço físico e persistência.



Foto de Dezembro de 2018


Nesta fase a terra está pronta para ser novamente limpa e cultivada e aí que temos que ter critérios diferentes dos anteriores que levaram a mesma terra a degradação total, se queremos resultados diferentes temos que mudar a forma de fazer. Eu costumo ir limpando aos poucos as áreas que pretendo cultivar, amontoando os galhos folhas e troncos para se tornarem adubo futuramente, parte das folhas ficam espalhadas pelo solo e isso já é a minha primeira adubação.



Foto com o feijão ainda bem pequeno e detalhes da matéria orgânica no solo


Existe quem diga que matéria orgânica no solo só vale se bem curtida, mas isso é um engano terrível porque se ela não for capaz de fornecer nutrientes nesse estágio, serve ao menos pra manter a umidade diminuindo assim a necessidade de irrigações constantes, ou seja podemos irrigar a intervalos maiores, com isso é visível a diferença entre uma área que se coletou toda a matéria orgânica e uma área onde esse material fora mantido.



Foto de Início da colheita sobre uma lona


Baseado em experiências ano após ano, aqui faço a colheita cortando com tesoura de poda os pés de feijão, assim não corro o risco de ter junto aos grãos impurezas como torrões, pedras e areia, e ainda mantenho o solo mais saudável mantendo a permeabilidade criada pelas raízes do feijão e também uma melhor presença e fácil absorção do nitrogênio absorvido pelas plantas, assim o solo será mais facilmente preparado naturalmente para o próximo plantio.

Um vídeo no canal do youtube mostra essa prática: Colhendo Feijão



Foto de vagens de alguns pés de feijão repletas de grãos saudáveis


Vagens retiradas de alguns pés, essas foram retiradas dos pés ainda maduras, era ideia fazer uma farofa de feijão maduro, mas descuidei e secaram, fica para a próxima colheita, essa e deixou muito satisfeito com o resultado, nada melhor que poder colher o próprio alimento sabendo toda sua procedência...



Foto dos grãos debulhados das vagens da foto anterior


Bom demais ver a qualidade do produto final, uma pureza que não encontro no mercado e ainda saber que cem porcento livre de agrotóxicos e eu mesmo que plantei, cultivei e colhi, esse da peneira é mais que o que foi plantado, plantar menos de meio kg e colher entre vinte e vinte e cinco kg em apenas três meses é como um milagre. Não sei o nome correto dessa espécie, parecido e sabor similar ao conhecido Carioquinha, só sei dizer que é uma semente crioula...

Para finalizar essa matéria deixo aqui foto de outra atividade semelhante que produziu bons resultados com Milho, Hibiscus, Girassol e Moringa oleífera consorciados...


Foto de Janeiro de 2019 - Plantio consorciado: Girassol, Milho, Hibiscus e Moringa oleifera


A Mãe Natureza é sim tudo isso e muito mais que isso bastando nos dedicar a ela, tudo que investirmos nela teremos de volta multiplicado e proporções ínfimas se levarmos em conta o que não temos como ver e sentir, mas o palpável já é suficiente pra nos convencer que vale a pena, que ela é mãe e pro nosso bem está sempre disposta a resistir e se regenerar apesar de tantas agressões por parte de nós seres humanos dia após dia...


Grande abraço pessoal e até breve! Eliseu Pinheiro Lopes Sítio Terrinha

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